quarta-feira, 25 de novembro de 2009

DOENÇAS BUCAIS NA GRAVIDEZ

Aécio Pereira
Danilo Soares
Gabriela Gontij
Héber Rodrigues Silva
Jean da Silva Coelho
Keyla Márcia da Silva
Murilo Guimarães


Araújo et al (2009) ensinam que a “gravidez ou gestação é o período no qual ocorre uma sequência de eventos desde a fecundação do óvulo até a formação completa do feto”. É nessa fase, quando ocorrem intensas modificações no organismo da grávida, que podem ocorrer alterações no “equilíbrio da boca”, dando origem a uma série de doenças.
De acordo com Andrade (1998, pp. 108-109) a saúde bucal da gestante e do bebê está diretamente relacionada com as alterações físicas, fisiológicas e psicológicas que ocorrem na mesma. Entretanto, como afirmam Camargo & Soibelman (2005, pp. 11-12), “as perturbações da saúde bucal durante a gravidez e períodos onde há alterações hormonais, por si só, não desencadeiam as periodontites”.
Certo é que doenças bucais as mais diversas acometem grávidas e seus bebês durante a gravidez. Andrade (1998, pp. 108-109) cita a gengivite gravídica como uma das principais doenças bucais das gestantes, que ocorre com maior intensidade “no decorrer do terceiro trimestre” (SONIS, FAZIO & FANG: 1995, p. 146) de gravidez.
Estudiosos do assunto, por sua vez, enumeram outras doenças que podem acometer a gestante e “induzir efeitos deletérios no desenvolvimento dos fetos” (LOURO, 2001, p. 24). Araújo et al (2009), por exemplo, constatou em seu estudo que a cárie dentária – que é “uma doença infecto-contagiosa e transmissível” (CARVALHO et al, 2009) –, seguida da gengivite e da afta, são as principais doenças desse período.
Louro et al (2001, p. 24) explica que, embora o número de doenças bucais seja grande, elas podem ser divididas do dois grupos: gengivite e periodontite. “Na gengivite, apenas os tecidos moles da gengiva são alterados. Na periodontite, além dos tecidos moles também os tecidos duros (ossos ligamento periodontal e cemento) são alterados”.
Dantas et al (2004, p. 8) alerta para o fato de que doenças bucais predispõem o desenvolvimento ou maximização de vários outros problemas de saúde, dos quais ele cita os seguintes:

(...) doenças respiratórias (principalmente as pneumonias e as doenças pulmonares crônicas obstrutivas), partos de bebês prematuros de baixo peso, doenças cardiovasculares (desde endocardite bacteriana até aterosclerose, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais), além de eventuais dificuldades frente ao controle do diabetes.

Explicando as consequências que podem advir de uma criança que nasça com baixo peso, devido a problemas bucais de sua mãe, Louro et al (2001, p. 27) afirma que essa criança está sujeita a um aumento significativo do “risco de morte, sequelas neurológicas e neurodesenvolvimento insatisfatório. Além disso, implica custos elevados, uma vez que um grande percentual de recém-nascidos de baixo peso ao nascer necessita de tratamento intensivo ou intermediário”.
Outros estudos também apontam nessa direção, como por exemplo: Collins et al (1994), Offenbacher et al (1996 e 1998), Dasanayke (1998), Davenport et al (1998), Andrade (2000), Jeffcoat et al (2001), Segura et al (2001), Azevedo (2002), Glesse & Saba-Chujfi (2003), Ricardo, Franco Filho & Souza (2003) e Campos et al (2003) (apud DANTAS: 2004, pp. 8-9).
É importante atentar para o fato acima, pois de acordo com Dantas et al (2004, p. 9), “o nascimento de bebês de baixo peso corporal continua sendo a principal causa de morbidade e mortalidade perinatal, afetando cerca de 10% de todos os nascimentos”. Isso tudo somado ao fato de que “infecções dento-gengivais podem ter repercussões orgânicas a distância”, ou seja, “mesmo que o paciente não sinta desconforto, podem resultar em lesões orgânicas insidiosas a distância, eventualmente fatais” (LOURO et al: 2001, p. 23).
Como se pode perceber, as doenças bucais na gravidez são uma realidade, e seus resultados podem ser desastrosos, pois além dos perigos acima citados, as doenças periodontais podem ocasionar a “perda de dentes e desequilíbrio do sistema estomatognático, comprometendo assim a mastigação, deglutição e a fala” (ARAÚJO: 2009). Benatti & Trotta (2000, p. 37) também acentuam que “o adequado desenvolvimento e a manutenção das estruturas bucais são fundamentais para o bom funcionamento da mastigação, fonação e estética”.
Não bastasse o número de doenças bucais que podem acometer a gestante, e as perigosas consequências de não se dar a devida atenção ao seu tratamento, estudos revelam que há um abismo de desinformação por parte das gestantes e dos profissionais de saúde que trabalham o pré-natal com as mesmas no que respeita às doenças bucais e suas consequências. Foi esta a conclusão a que chegou Araújo et al (2009) quando observou que 84% das gestantes por ele entrevistadas “respondeu não ter tido nenhuma informação sobre saúde bucal”.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se observa que pediatras e médicos obstetras não têm a devida compreensão sobre a importância de se trabalhar a saúde bucal das gestantes. É essa a conclusão de Feldens et al (2005, p. 42), para quem é imperiosa a “necessidade de integrar de forma interdisciplinar médicos e dentistas”, com a “inclusão da consulta odontológica como rotina o controle pré-natal” (COZZUPOLI, 1981; SCAVUZZI, ROCHA & VIANNA, 1995; FARIA, 1996 apud FELDENS et al: 2005, p. 43).
O autor acima sugere, ainda, que a realização de procedimentos odontológicos (restaurações, endodontias e exodontias) devem ocorrer, preferencialmente, no segundo trimestre de gravidez, pois “o primeiro e terceiro trimestres apresentam-se como períodos de maior risco para a gestante e o bebê em desenvolvimento” (SPOSTO et al, 1997, apud FELDENS et al: 2005, p. 43).
Não obstante as dificuldades encontradas diante da atual realidade, percebe-se que a “gravidez é uma fase ideal para o estabelecimento de bons hábitos, pois a gestante mostra-se psicologicamente receptiva em adquirir novos conhecimentos e a mudar padrões que provavelmente terão influência no desenvolvimento da saúde do bebê” (CARVALHO et al.: 2009).

As medidas preventivas em saúde bucal devem ser iniciadas já na gestação, através da orientação a respeito de uma dieta saudável, com quantidades suficientes de cálcio para a gestante. As primeiras orientações preventivas pós-natais são fornecidas pelo médico, em geral o pediatra , que encaminhará a criança ao odontólogo para completar, de forma especializada, a orientação (BENATTI & TROTTA: 2000, p. 40).

“O sucesso de se ter crianças livres de doenças bucais irá depender do momento de iniciação da educação, e da promoção de saúde bucal com acompanhamento odontológico da gestante durante toda gravidez” (ARAÚJO Et al: 2009).
Não é por menos que Camargo & Soibelmn (2005, p. 12) sugerem que a adoção de “programas odontológicos adequadamente direcionados às gestantes poderiam ser delineados para esclarecer a importância em manter a saúde bucal, ressaltando-se o eventual benefício direto ao recém-nascido”.
De tudo o que foi exposto acima, resta claro que as doenças bucais durante a gravidez se não são um indicativo da presença das doenças já elencadas, representam um risco potencial, que pode – e deve – ser evitado, já que as consequências atingem não apenas os diretamente envolvidos (a grávida e o bebê), mas a sociedade como um todo.
Como as doenças originadas durante o período da gravidez podem ocasionar uma série de outros problemas futuros, sua conscientização, prevenção e recuperação são de grande importância, revestindo o trabalho do cirurgião dentista de importante elemento de saúde pública.
Concluímos as considerações reiterando a necessidade de conscientização, não somente das gestantes (que devem receber orientação de profissionais especializados), mas também da população como um todo (pois como vimos, as doenças que podem surgir a partir das doenças bucais podem acometer qualquer pessoa, quer seja ela uma criança ou um adulto).
Esse processo de conscientização, prevenção e informação deve envolver também os responsáveis pela definição das políticas públicas de saúde (com a inserção de um número cada vez maior de profissionais odontólogos em suas políticas, notadamente durante o pré e o pós-natal) e dos profissionais de saúde – médicos e odontólogos – que devem trabalhar juntos a fim de permitir que as pessoas tenham acesso à saúde integral, à qualidade de vida.
REFERÊNCIAS


ANDRADE, Eduardo Dias de. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia: procedimentos clínicos e uso de medicamentos nas principais situações da prática odontológica. São Paulo: Artes Médicas, 1998.

ARAÚJO, Izamir Carnevali de Et al. Condições da Saúde Bucal das Gestantes Atendidas em Instituições de Saúde do Bairro do Guamá no Município de Belém. Disponível em: http://www.ufpa.br/ccs/izamir/izamirtrabgestantesmarizeli.pdf. Acesso em 10 nov. 2009.

BENATTI, Rosange Maria; TROTTA, Eliana A. A Saúde Bucal da Criança e do Adulto: aspectos atuais. Revista HCPA, 20(1)37-43, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v11n1/29457.pdf. Acesso em 01 nov. 2009.

CAMARGO, Elaine Catarina de. Prevalência da Doença Periodontal na Gravidez e sua Influência na Saúde do Recém-Nascido. Revista AMRIGS, Porto Alegre, 49 (1): 11-15, jan.-mar. 2005. Disponível em: http://www.amrigs.com.br/revista/49-01/ao01.pdf. Acesso em 08 nov. 2009.

CARVALHO, Maria de Lourdes Et al. Avaliação dos Conhecimentos Sobre Saúde Bucal de Gestantes. Disponível em: http://www.propp.ufu.br/revistaeletronica/edicao2002/H/AVALIACAO%20.PDF. Acesso em 01 nov. 2009.

DANTAS, Euler Maciel Et al. Doença Periodontal como Fator de Risco para Complicações na Gravidez – há Evidência Científica? Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 3(1):07-10, jan./abr., 2004. Disponível em: http://www.cro-pe.org.br/revista/v3n1a04/Doenca%20periodontal%20como%20fator%20de%20risco%20para%20complicacoes%20na%20gravidez.pdf. Acesso em 01 nov. 2009.

FELDENS, Eliane Gerson Et al. A Percepção dos Médicos Obstetras a Respeito da Saúde Bucal da Gestante. Disponível em: http://eduep.uepb.edu.br/pboci/pdf/Artigo6v51.pdf. Acesso em: 01 nov 2009.

LOURO, Paulo M. Et al. Doença Periodontal na Gravidez e Baixo Peso ao Nascer. Jornal de Pediatria, Vol. 77, nº 1, 23-28, 2001. Disponível em: http://www.jped.com.br/conteudo/01-77-01-23/port.pdf. Acesso em 10 nov. 2009.

SONIS, Stephen T.; FAZIO, Robert C.; FANG. Princípios Prática de Medicina Oral. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995.

2 comentários:

  1. Parabéns,
    O blog de vocês está ótimo.... Dezzzz... agora verificarei os relatórios dos membros do grupo.
    abraços

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  2. Olá,
    Estou passando por aqui para visitar o material de vocês. Esta é a etapa final da atividade com o blog sob minha orientação.
    De vez em quando virei visitá-los rsss...

    Informo que o processo de avaliação consta das seguintes etapas:

    Leitura dos relatórios individuais
    Impressão de todos os textos dos blogs
    Leitura dos textos publicados nos blogs
    Coloco comentário geral no último texto publicado.

    Após o recebimento deste comentário geral. As etapas de avaliação foram encerradas.

    Desejo sucesso para vocês e AGRADEÇO a participação de todos vocês na elaboração das atividades propostas durante nosso curso.

    abraços

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